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Advogados que marcaram história: Luís Gama

Este texto, abordará, ainda de maneira breve, a incrível trajetória pessoal e profissional de Luís Gama, patrono da abolição da escravidão no Brasil.

Em período no qual a erradicação da escravidão e o combate ao racismo integram pauta basilar de extrema relevância e importância, nada mais oportuno de conhecer um pouco da vida de um advogado, reconhecido até hoje como o maior abolicionista do Brasil.

Quem foi Luís Gama?

Luís Gonzaga Pinto da Gama, baiano de Salvador, nascido em 21 de junho de 1830, foi um filho de mãe africana livre e pai fidalgo português, que viveu a infância sob as controvérsias de um período extremamente delicado e marcante: a escravidão no Brasil.

Vendido ilegalmente como escravo, em razão de dívidas de seu pai, viveu muito tempo escravizado, até fugir da fazenda em que residia. Desenvolveu, no entanto, importantes habilidades e interessou-se pelos estudos.

Enfrentou momentos de muita dificuldade para, então, compreender a importância de se envolver nas questões sociais da época e lutar por aquilo que acreditava.

Quando cresceu, trabalhou como jornalista e integrou a Academia Paulista de Letras, tendo cursado Direito, na qualidade de ouvinte, sem, no entanto, concluir o curso.

Como era possível na época, tornou-se um rábula – advogava mesmo sem concluir seu bacharelado em direito – tornando-se conhecido em larga escala e procurado por um grande número de pessoas escravizadas que não se viam mais merecedoras daquelas condições e desejavam a liberdade.

A partir disso, iniciou sua luta incessante em defesa dos direitos das pessoas negras, principalmente nos casos de escravizações ilegais, além de abolições individuais e coletivas no Estado de São Paulo, onde passou a residir. É considerado responsável pela libertação de mais de 500 escravos.

Por ter vivido uma infância sofrida, uma adolescência de muitas dificuldades e ter enfrentado todo tipo de preconceito, impressiona por jamais ter abandonado seus ideais e ter prosseguido para conquistar seus objetivos.

Sobretudo, por ter lutado até os seus últimos dias de vida – poucos anos antes da Lei Áurea – para a liberdade de quem assim quisesse e ter deixado um legado de grande valor para todas as gerações que até hoje constroem a sociedade brasileira.

Em 2015, mais de uma centena de anos após seu falecimento, foi reconhecido como advogado pela Ordem dos Advogados do Brasil.

Em 2018, foi declarado Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil (Lei 13.629/18) e teve seu nome inscrito no Livro dos Heróis da Pátria (Lei 13.628/18).

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